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BUDISMO

Buda refere-se a um estado, a palavra deriva do sânscrito onde boud significa «totalmente desperto do sono da ignorância» e dha quer dizer «eclosão perfeita da potencialidade fundamental."

Buda disse:

"... as minhas palavras só devem ser aceites depois de examinadas e não por respeito para comigo"

"Vós sois o vosso próprio mestre tudo assenta sobre os vossos ombros, tudo depende de vós."

Assim o Buda deixou o Dharma, ou seja, os seus ensinamentos, como um instrumento de utilização pessoal para o desenvolvimento da perfeita potencialidade humana.

 

A MEDITAÇÃO

A meditação é o meio através do qual se estuda, experimenta e pratica o Dharma. A meditação incide principalmente sobre o aspecto mental do nosso ser, ao contrário do Yoga que incide principalmente sobre o aspecto físico. Vamos expôr a seguir a sequência de uma meditação budista básica a qual é praticada na delegação do Funchal: (faça "click" sobre as palavras sublinhadas para mais detalhes)

Assume-se a postura de meditação.

Uma meditação Budista tem sempre três partes:

O BEM NO PRINCÍPIO (O início perfetio)

O BEM NO MEIO (A perfeição no meio)

O BEM NO FIM (O final perfeito)



A POSTURA:
O corpo e a mente são partes estreitamente ligadas e interdependentes da nossa existência, assim a postura com a qual praticamos a meditação tem uma certa influência sobre a mente, tal como a mente influencia o estado do corpo. É importante que o corpo esteja numa posição confortável de modo a não causar distracções durante a prática. Tradicionalmente ensina-se a ter em atenção 7 pontos na nossa postura.

 

O BEM NO PRINCÍPIO, esta parte diz respeito à motivação com que se vai fazer a prática de meditação. A motivação própria com que devemos praticar está intimamente ligada a um aspecto da realidade fenomenal ensinado pelo Buda, que é a interdependência de todos os fenómenos, em particular, a relação que nós próprios temos com todos os seres. Assim fazemos a tomada de refúgio com a motivação de que aquilo que venhamos a fazer durante a meditação possa beneficiar todos os seres.

 

O BEM NO MEIO, Esta é a parte central da meditação e é onde se investe mais tempo. Começa-se por respirar fundo durante alguns instantes e a cada expiração descontrai-se e desfazem-se as tensões no corpo e na mente, abstraíndo-nos das preocupações diárias.

 

De acordo com a segunda nobre verdade ensinada pelo Buda, na origem do sofrimento está uma ignorância fundamental a partir da qual geramos emoções para preservar e reforçar a concepção egocêntrica que temos da nossa existência. Estas emoções e as acções que delas surgem, engendram todo o tipo de sofrimento. Por forma a enfraquecer as tendências que a nossa mente tem para a geração destas emoções, faz-se o exercício de purificação com base na respiração.

 

No budismo não se vê a mente como um orgão essencialmente diferente de qualquer outro, reconhece-se, no entanto, que o nosso domínio da mente é muito escasso. Podemos facilmente fazer a experiência de tentar não pensar em nada, para depois verificarmos que a nossa mente parece ter uma vida própria com um fluxo involuntário de pensamentos encadeados. É com o objectivo de ganhar mais domínio sobre a actividade da nossa própria mente que se pratica a meditação Samatha. A prática eficiente da meditação Samatha pode variar bastante de pessoa para pessoa. O benefício imediato da prática correcta da Samatha é ela desarmar a nossa agressividade e conflituosidade. A Samatha também age de uma forma subtil sobre os estados mentais, estimulando os mais positivos. Os mestres realizados dizem que com a prática regular e continuada da Samatha surge um novo tipo de sabedoria que não se pode adquirir ou perceber intelectualmente, é um tipo de sabedoria que só vem da experiência e que diz respeito à percepção que se tem dos fenómenos. Esta meditação pratica-se durante cerca de um quarto de hora.

 

Por forma a progredirmos no nosso desenvolvimento espiritual devemos empenhar-nos em alargar certas características que estão reconhecidamente associadas ao estado de Buda. Estas quatro qualidades, também conhecidas como os quatro pensamentos ilimitados, são a compaixão, o amor, a alegria e a equanimidade, de que se diz terem sido desenvolvidas sem limites pelo Buda. Com o objectivo de alargar em nós estas qualidades, pratica-se a meditação Tonglen, à qual vários mestres se refiriram como o segredo sagrado. Esta meditação age de uma forma subtil sobre os nossos estados mentais e pode ser praticada durante cerca de cinco minutos.

O BEM NO FIM: (O final perfeito)
Faz-se uma dedicatória de toda a prática. Não interrompemos abruptamente a prática, deixamos que este estado de espírito penetre um pouco o nosso dia-a-dia e esperemos que um dia possamos ter a coragem e sabedoria para agir constantemente em conformidade com o Dharma.

 

 

A POSTURA EM SETE PONTOS:
Tradicionalmente ensina-se a ter em atenção 7 pontos na nossa postura:
- Pernas cruzados em posição de lótus (se possível) ou cruzadas uma à frente de outra.
- Coluna Vertebral direita como uma flecha.
- Ombros puxados para trás mas sem tensão.
- Mãos sobre os joelhos ou colocadas três dedos abaixo do umbigo com as palmas das mãos viradas para cima, mão direita sobre a mão esquerda e a extremidade dos dedos polegares em contacto.
- Lingua a tocar o topo do palato, junto aos dentes.
- Olhos fechados.
- Queixo ligeiramente reentrado para garantir a rectidão total da coluna vertebral.

 

A TOMADA DE REFÚGIO ou o vota de Bodhicitta.
Recita-se três vezes o seguinte:
«Entro em refúgio no Buda, no Dharma e na Sanga até ao despertar.
Que pela força da generosidade e das outras virtudes,
possa atingir o estado de Buda para o benefício de todos os seres.»

 

A PURIFICAÇÃO


Com as mãos sobre os joelhos e ainda antes da inspiração faz-se pressão com os dedos polegares sobre a base dos dedos anelares. Inspira-se elevando a mão direita levando a extremidade do dedo anelar até à narina esquerda tapando-a. Durante a expiração pela narina direita vai-se abrindo a mão esquerda e simultaneamente imaginamos que estamos a expelir da nossa mente a sua tendência para a geração da raiva, do ódio, da aversão e a desfazer no corpo os traços deixados pelos momentos em que estivemos sobre a influência destas emoções negativas. Havendo expirado todo o ar dos pulmões, voltamos a pôr as mãos sobre os joelhos.


Novamente antes da inspiração faz-se pressão com os dedos polegares sobre a base dos dedos anelares. Inspira-se elevando agora a mão esquerda levando a extremidade do dedo anelar até à narina direita tapando-a. Durante a expiração pela narina esquerda vai-se abrindo a mão direita e simultaneamente imaginamos que estamos a expelir da nossa mente a sua tendência para a geração do apego, do desejo egoísta, do ciúme e a desfazer no corpo os traços deixados pelos momentos em que estivemos sobre a influência destas emoções negativas. Havendo expirado todo o ar dos pulmões, voltamos a poisar as mãos sobre os joelhos.


Novamente antes da inspiração faz-se pressão com os dedos polegares sobre a base dos dedos anelares. Inspira-se deixando as mão sobre os joelhos. Durante a expiração pelo nariz, abrem-se ambas as mãos e simultaneamente imaginamos que estamos a expelir da nossa mente a sua tendência para a geração da indiferença, da ignorância na origem do medo e da confusão e a desfazer no corpo os traços deixados pelas situações em que estivemos sobre a influência destas emoções negativas.
Repetimos esta sequência três vezes e no fim consideramos que efectivamente nos livramos destes três venenos que são considerados como os principais; a aversão, o apego e a ignorância.

 

A meditação SAMATHA (tranquilidade):


Para esta meditação necessitamos de um objecto sobre o qual vamos poisar a nossa atenção. O objecto tradicional de concentração é a respiração. Em particular tentamos concentrar-nos sobre a sensação que se gera com o fluxo do ar a passar no nariz. É uma sensação subtil de que geralmente não estamos conscientes. Aquele ponto onde a sensação for mais visível será o nosso ponto de referência. Geralmente a sensação é mais nítida na inspiração do ar frio do que na expiração do ar quente.


E é só isto! No entanto no nosso esforço equilibrado para manter constantemente a atenção sobre o nosso objecto de concentração vão surgir alturas em que nos damos conta que a consciência se desviou do objecto. Nesse mesmo instante voltamos a poisar a atenção sobre a respiração. A nossa mente julga necessitar de algo mais complexo para se entreter, apesar de nenhuma respiração ser igual à anterior. Não devemos conceber a respiração de nenhuma outra forma senão a que as sensações nos fornece, devemos estar absolutamente atentos às sensações e devemos receber uma atrás da outra em total abertura, como se fosse uma descoberta a cada instante.
Pratica-se a meditação Samatha durante cerca de 15 minutos e com as mãos na postura de meditação em que ficam por debaixo do umbigo.

 

A meditação TONGLEN (dar-receber):


Esta meditação é feita com base na respiração e tem quatro fazes:
Começamos por pensar em alguém de que gostamos muito, que tenha demonstrado ter grande afecto por nós e por quem tenhamos um grande carinho, tradicionalmente pensa-se na nossa mãe, mas pode-se pensar noutra pessoa. Tentamos vê-la ou senti-la vivamente na nossa memória. Em seguida imaginamos que essa pessoa está a sofrer, se o conseguirmos fazer realmente gerar-se-á um imenso desejo de a ver livre desse sofrimento. Este desejo é a nossa compaixão para com essa pessoa. Imaginamos então todo esse sofrimento mental e físico sob a forma de uma nuvem escura e na inspiração inspiramos esse sofrimento e a causa desse sofrimento da pessoa para nós, aliviando-a com alegria. Em nós deixamos que esse sofrimento desfaça o nosso auto-apego e egocentrismo percebendo que ele não é mais do que emoções negativas e o seu resultado. Na expiração devolvemos, com alegria, a essa pessoa querida o nosso desejo de felicidade sob a forma de uma luz clara. Este desejo de felicidade é o amor que temos por essa pessoa. Praticamos assim, com base na respiração, durante algumas respirações.


Na segunda parte desta meditação e sem interromper a prática iniciada, aproveitando a abertura em compaixão e amor da primeira parte da meditação continuamos a praticar mas agora com uma pessoa que nos é indiferente, que mal conhecemos. Isto alargará um pouco a nossa compaixão e o nosso amor.


Na terceira parte desta meditação e sem interromper a prática, continuamos a praticar genuinamente mas agora com uma pessoa que consideramos detestável ou com quem tenhamos relações difíceis. Isto pode parecer difícil à partida mas devemos manter em mente que estamos a praticar para o bem de todos os seres, todos têm o mesmo direito à felicidade. Podemos também pensar que a nossa compaixão e amor transformarão essa pessoa e ela deixará de estar sobre a influência das emoções negativas que a tornavam detestável e passará a ser agradável.


Na última parte desta meditação alargamos a prática do Tonglen a todos os seres à nossa volta, amigos, familiares, conhecidos, desconhecidos, animais, aves, insectos ... todos sem excepção. A prática deve ser em total abertura para assim desenvolvermos a equanimidade. Recebemos o sofrimento e damos a felicidade sem qualquer restrição nem discriminação, sentindo uma alegria sempre que os seres se aliviam do sofrimento e da sua causa, como também quando obtêm a felicidade e a sua causa.
Pratica-se a meditação Tonglen durante cerca de 5 minutos e com as mãos na postura de meditação em que ficam sobre os joelhos.

 

A DEDICATÓRIA
Faz-se uma dedicatória de toda a prática
«Que por estas virtudes se realize rapidamente o Mahamudra (Iluminação)
e que esta realização possa incluir todos os seres sem excepção.»