Ambiente


Introdução

O Tibete, também conhecido pelo “Tecto do Mundo”, ou “Shangri-La” que significa um lugar cheio de alegria, paz e felicidade, imediatamente dá-nos uma imagem de um país mágico, não só pela sua cultura, e espiritualidade, mas também pelo seu ambiente, onde a terra literalmente penetra os céus numa vasta construção geológica que proporciona as condições para uma riquíssima flora e fauna e uma preciosa contribuição ao mundo em termos dos valores paisagísticos.



Geologia

O Planalto do Tibete que tem uma área aproximadamente 7 vezes a área de França faz parte do maciço montanhoso vulgarmente conhecido como Himalaias e inclui as duas montanha mais altas do mundo: Everest ou Chomolungma (8.848 metros) como é conhecido em Tibetano (significando Deusa Mãe) na sua fronteira com o Nepal e K2 (8.611 m). Estas montanhas foram o resultado de um enorme encontro entre dois continentes. Há 70.000.000 anos, a placa Indiana tem pressionado a placa da Eurasia em três fases consecutivas formando a cordilheira dos Himalaias. Este formidável exemplo do poder da natureza continua hoje, verificando-se um movimento de cerca de 2 cm por ano da placa Indiana para o norte e uma elevação de cinco mm por ano nas montanhas dos Himalaias (http://library.thinkquest.org).

Assim, o Planalto do Tibete é o mais alto planalto do mundo com uma média de 4.500 metros. A paisagem varia entre pastagem (70% do terreno) e floresta de altitude temperada onde nascem alguns dos mais potentes rios do continente asiático, entre eles o Mekong, Indus, Yangtze,e Tsangpo (Brahmaputra), tendo este último erodido o leito criando uma ravina com uma profundidade de 5.382 m e com um comprimento de 496,3 km.



Flora e fauna

Devido ao seu isolamento, no Tibete, constata-se uma enorme quantidade e diversidade de espécies de plantas e animais, especialmente localizada nas regiões orientais do Tibete onde o clima é mais favorável. É nesta zona que a cobertura florestal Tibetana esta localizada. Existem 2307 espécies do insectos, 64 espécies de peixe, 45 espécies do anfíbio, 55 espécies de repteis e 142 espécies de mamíferos. Entre estes números 163 espécies são considerados como extremamente raros ou ameaçados, entre elas 74 mamíferos, 79 aves, 4 repteis, 2 anfíbios, 2 peixe e 2 insectos. Exemplos destas espécies são os antílopes Tibetanos (Pantholops hodgsoni), o ibex (ibex), e a perdiz Tibetana (Perdix hodgsoniae caraganae)

Além disto o Tibete possuí um grande numero de endemismos. Tem 40 espécies de mamíferos endémicos o que signfica uma percentagem de 60 % do total da China. Dos endemismos Tibetanos 28 são aves, 2 são repteis e 10 são anfíbios.

Em termos da flora existem mais de 12.000 espécies de plantas e entre elas 400 espécies de rododendros. Em 1985 tinha uma área florestal de 134,000 km² o que corresponde a uma redução de aproximadamente 50% desde 1949, quando havia 221.800 km² de floresta (http://www.tew.org).

Recursos minerais

Existem 126 minerais diferentes entre eles o bórax, urânio ( o Tibete possui a maior reserva à escala mundial deste mineral), ferro, ouro, e cobre.

Ameaças ambientais

A caça das espécies mantêm-se como a principal ameaça para animais, especialmente os mais raros. Pela sua pele, chifres ou outras partes do corpo, como por exemplo a gazela Tibetana em que a cabeça é vendida, e é muito valorizada no mercado negro. Devido às pressões sócio económicas estes tipos de actividades são muito comuns.

De acordo com as estatísticas oficiais Chinesas o valor da madeira exportada entre 1954 e 1985 foi cerca de $54 mil milhões. Infelizmente a reflorestação não tem acompanhado o rápido desaparecimento deste recurso valioso, deixando muitos lugares vulneráveis à erosão do solo. Isto provoca prejuízos como inundações e perda de solo fértil levando à desertificação de extensas áreas.

No entanto a China tem vários planos para os recursos fluviais do Tibete nomeadamente a construção de várias barragens para captura de energia hidroeléctrica fornecendo várias cidades Chinesas. Isto é muito preocupante pois implicará a deslocação forçada de populações.

A exploração abusiva dos recursos naturais continua na forma como o programa nuclear da China foi elaborado usando o Tibete como uma zona de testes nucleares e depósito de resíduos nucleares, tornando o Planalto do Tibete num verdadeiro “Los Alamos”. Recentemente tem havido registos nas populações nómadas de doenças provocadas pela exposição a radiações.